O bom jornalismo tem coisas muito sérias, reveladas na interessante reportagem do nosso colega Fula Martins, publicada na edição de ontem do Jornal de Angola, sobre o problema de um mercado popular que abriu mesma à frente de uma escola, ali na Rotunda da Cuca, onde se cruzam as ruas dos Comandos, Ngola Kiluanje e Porto Santos.

Olhamos todos os dias para a vida da capital, mas não vemos a realidade que o repórter descreve no limitado espaço do jornal, mostrando diferentes pontos de vista de um mesmo problema. A escola, a administração e os automobilistas têm pela frente, no Cazenga, um grande affair para resolver, comum a muitas zonas da cidade.  

Em Luanda existem desses nós de estrangulamento do trânsito. Se não são os mercados de rua, é o estacionamento de viaturas em zonas impróprias, que estrangula o trânsito. Um pequeno buraco no cruzamento de uma rua pode levar o trânsito a andar a passo de caracol durante muitas horas. Na Baixa de Luanda, os passeios estão a ser arranjados como convém e todos reclamam. A Rua Rainha Ginga é um dos pontos críticos do trânsito.

A razão do estrangulamento é simples: o estacionamento anárquico de viaturas e a passividade dos agentes da autoridade. Os passeios da Rainha Ginga estão a ser reparados, mas os condutores de automóveis não aguardam pelo fim dos trabalhos e o estacionamento é feito sobre o cimento ainda fresco, destruindo o que se constrói de novo. O problema seria evitado se o trânsito fosse encerrado durante a reparação dos passeios e a construção de prédios novos, como se faz em alguns pontos da cidade.

E aonde iríamos estacionar as viaturas? – perguntam os automobilistas mais exigentes. Aqui está uma questão que precisa de resposta. Mas enquanto a rua estiver encerrada para reparação, a criatividade dos automobilistas que destroem os novos passeios pode levá-los a encontrar as melhores saídas para esse problema. A cidade ainda vai tendo alternativa para a resolução do problema do estacionamento automóvel. Se nada for feito, é que tudo vai tender para o agravamento.

Um grande parque subterrâneo sob o Largo do Ambiente, talvez não fosse má ideia. O largo está hoje transformado num depósito de viaturas, sem respeito por nada. Os condutores não se importam de subir os passeios e de estragar o que já está degradado. O importante é encontrar um lugar para deixar o carro. Não interessa onde.

Um parque público no Largo do Ambiente, excepcional ponto de acesso, a pé, para os serviços públicos e o comércio, serviria toda a Baixa de Luanda, com a urgência que o problema impõe, enquanto não avançam os megaprojectos dos nossos empresários privados, de utilizarem o espaço, já demasiado agredido, da Baía de Luanda.

Os parques de estacionamento nem sequer exigem grandes investimentos. Mas as horas que todos perdemos no trânsito, ficam a um preço incomportável. E não falo apenas do aspecto económico. Há também que ter em conta a qualidade de vida e a saúde de todos: automobilistas, peões e utentes dos serviços e do comércio da Baixa de Luanda.

PUBLICAÇÃO: JORNAL DE ANGOLA

COLUNA: PALAVRA DO DIRECTOR

DATA22/02/2009

You may also like

0 comentários

Comments are closed.