A informação sobre mercado imobiliário angolano é opaca e redundante, característica de que não se afasta a generalidade da economia do país.

Sem informações sobre estatísticas nem indicadores correntes de negociação, torna-se difícil para um investidor mover-se no meio imobiliário angolano.

Observemos alguns factos do imobiliário angolano no mês de Janeiro.

No mês de Janeiro, início do ano, já com o orçamento aprovado, o único facto digno de realce no mercado foi a apresentação à nova equipa de governação da província de Luanda do Plano Director Geral de Luanda (PDGL).

O então chamado Plano Director Geral Metropolitano (PDGML), foi divulgado pela primeira vez em 2015, foi aprovado em Fevereiro de 2018 pelo Governo e volta agora a ser apresentado, com a “inovação” de que vai ser revisto e transformado em lei.

Os indicadores económicos estão ausentes da vida económica corrente. No imobiliário, ninguém sabe que transacções são feitas, tanto da parte dos proprietários, como dos organismos do Estado.

Para agravar, está a tornar-se mais difícil aceder ao site do INE (Instituro Nacional de Estatística).

Em Angola, quando se fala de governação, ou se repete o quadro jurídico de uma qualquer actividade económica e institucional ou se expõe um programa antigo e recauchutado, como se de novidade se tratasse.

Talvez, por reflexo disso, tenhamos um Orçamento Geral do Estado (OGE) pouco previsional (já vai ser revisto), com pouco incentivo evidente à vida empresarial e privada, próprio de um orçamento ainda centralizado que continua amarrado a conceitos e práticas do passado.

Nos últimos meses, o Governo anunciou que vai construir mais sete novas centralidades e que até 2030 o país vai precisar de construir 1,4 milhões de habitações para responder à explosão demográfica.

Ninguém sabe, porque não foi dito, como o governo o vai fazer, com a presente crise de financiamento.

Se for repetido o modelo das centralidades construídas até aqui, que estão por pagar e não atenuaram o “deficit” habitacional, antes ajudaram a servir clientelas de pessoas que já tinham casa, ou se for continuado o programa “200 Fogos por Município”, cujas obras foram feitas de qualquer maneira e estão ao abandono, o falhanço será maior, por falta de aprendizagem com o erro.

Noutra vertente, a actividade privada de construção imobiliária, que entrou em estagnação desde 2009, é muito baixa e desenvolve-se não se sabe com que dinheiros, com que perspectivas de retorno do investimento e com que finalidade.

Um tipo de actividade imobiliária que continua a crescer livremente, tal como em geral nos restantes sectores da economia, é a de construtores, intermediários e corretores “informais”, que atendem à procura real de habitação, lojas e escritórios. É um mercado que está por dentro de todas a necessidades da população e dos preços praticados, uma verdadeira bolsa “informal”.

Mas esta pequena actividade especulativa é também a responsável pelo caos e desordenamento urbano que atravessa a habitação, o comércio e a hotelaria angolana, porque nela o Estado angolano não toca, porque entende que ela é o sustento do “povo”.


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